Estas são as personalidades e os acontecimentos de 2017 ordenados pelos utilizadores do site da Renascença. Explore a Radiografia do ano: leia os textos, veja os vídeos.
Tomou posse a 20 de Janeiro e reafirmou no primeiro discurso o mote que vinha da campanha: “América primeiro”. Donald Trump leva quase um ano na Casa Branca e praticamente todos os dias houve assunto. Utilizando o Twitter como arma, o Presidente dos Estados Unidos disparou contra tudo e todos: os jornalistas e as suas alegadas “fake news”; o Presidente que o antecedeu e as medidas para reverter (Obamacare); os supostos maus acordos de que seria preciso sair (como o acordo de Paris e a UNESCO); a “caça às bruxas” da alegada intromissão russa; e o “rocket man” da Coreia do Norte. Recorreu a “factos alternativos” para desculpar erros da administração (por exemplo, na resposta aos furacões que assolaram o país) e assistiu a constantes demissões na sua equipa. Já em Dezembro, a decisão de considerar Jerusalém a capital de Israel levantou uma onda de indignação de proporções ainda por quantificar. Há quem peça a destituição de Trump, mas o Presidente também já teve as suas “vitórias”: a aprovação da proibição de viajar para alguns países muçulmanos ou a reforma fiscal que já passou no Senado. Para além disso, a economia continua a crescer e o desemprego a baixar.

A 7 de Maio, Emmanuel Macron tornou-se Presidente de França. Foi a vitória da “terceira via”, de um homem que diz “não ser de esquerda nem de direita”, mas com promessas de mudança. Aos 39 anos, conquistou o Eliseu e depois venceu as legislativas, mesmo sem máquina partidária, numa altura em que a extrema-direita de Marine Le Pen ameaçava. Avançou com várias reformas e ganhou peso político internacional, aproveitando o “apagamento” de Angela Merkel.

Depois de quase 40 anos no poder em Angola, José Eduardo dos Santos decidiu não se recandidatar. O MPLA escolheu João Lourenço, que, desde que tomou posse, a 26 de Setembro, tem tomado medidas que parecem afastá-lo do rumo que vinha sendo seguido. Exonerou vários elementos da família Dos Santos dos cargos que ocupavam nas principais empresas públicas, como a petrolífera Sonangol. Também houve “vassourada” no sector dos diamantes, da comunicação social, no banco central e nos hospitais públicos, entre outros. Luaty Beirão, um dos nomes mais conhecidos da oposição ao anterior regime, “vê mais liberdade”, mas avisou: é preciso deixar “a poeira assentar”.
Contra os Estados Unidos e as sanções da comunidade internacional, a Coreia do Norte continua a pisar o risco e a realizar testes balísticos e nucleares (incluindo uma bomba de hidrogénio em Setembro), ao mesmo tempo que Kim Jong-un utiliza uma retórica belicista, agravada com a chegada de Trump à Casa Branca. A resposta não foi meiga e o líder norte-coreano já foi alcunhado de “rocket man”. A situação está tão tensa que, em Dezembro, um porta-voz de Pyongyang deixou a questão no ar: “Quando é que a guerra rebentará?".
Foi a “bomba” do mercado de transferências. No início de Agosto, o Barcelona confirmou que recebeu garantias bancárias do PSG para cobrir a cláusula de rescisão do avançado. Os franceses, apoiados em dinheiro das arábias, bateram todos os recordes de verbas neste tipo de negócios, voltaram a deixar o mundo a falar do chamado “fair play” financeiro, mas levaram mesmo o astro brasileiro para Paris. Diz-se agora que Neymar não está feliz em França, apesar da boa campanha do clube, e até já se fala de um novo meganegócio na forja, com o Real Madrid, daqui a dois anos.

Francisco esteve em Portugal, mas fez outras três visitas apostólicas marcantes (Egipto, Colômbia e a dupla Myanmar e Bangladesh). O Papa chegou ao Cairo a 28 de Abril, como “peregrino da paz”. “[O mundo] precisa de construtores de pontes de paz, de diálogo, de fraternidade, de justiça e de humanidade”, defendeu. Também na Colômbia, em Setembro, garantiu que era “uma viagem de reconciliação e paz”, numa altura em que o país tinha assinado um acordo que pôs um ponto final numa guerra civil de décadas. Na visita conjunta a Myanmar, de maioria budista, e ao Bangladesh, de maioria muçulmana, o Papa quis que dar um sinal de “esperança”, quando o mundo assiste chocado à perseguição do regime birmanês à minoria rohingya.

É secretário-geral do Partido Comunista chinês desde Novembro de 2012 e Presidente do país desde Março de 2013. Tem vindo a ganhar força e este ano atingiu um patamar há muito não visto: o congresso de 2017 do partido elevou o seu pensamento político ao nível do de Karl Marx e Mao Tse Tung, que, agora, vai passar a ser ensinado nas universidades. Internamente, continua a fazer crescer a economia, promoveu uma campanha contra a corrupção, que levou à detenção de milhares de pessoas, incluindo alguns adversários, mas também apertou a censura em vários sectores e negou dar mais autonomia a algumas regiões. Externamente, defende a globalização, o livre comércio e o Acordo de Paris, três questões em contraponto com o Presidente Trump.

Liderou o Zimbabué com plenos poderes desde 1987, mas já era primeiro-ministro desde 1980. Depois de, durante anos, ter feito tudo para afastar qualquer foco de oposição, em 2013, Robert Mugabe foi reeleito pela sétima vez numas eleições consideradas fraudulentas. Em 2017, aos 93 anos, dizia-se que estava a preparar a transição para a mulher, o que não terá agradado aos veteranos do partido e aos militares. Em Novembro, avançou um golpe “sui generis” que, depois de dias de indefinição e negociações, levou Mugabe a resignar. O líder histórico sai com imunidade e pode permanecer no país. É substituído por Emmerson Mnangagwa, um ex-vice-presidente que tinha sido demitido.
O movimento informal que pôs o assédio sexual na agenda foi considerado personalidade do ano pela revista Time. O caso começou com várias queixas contra o produtor Harvey Weinstein, entretanto expulso da Academia, e alastrou a dezenas de outros nomes, incluindo actores famosos como Kevin Spacey ou comediantes como Louis CK, mas também a políticos, como senadores ou o próprio Presidente Trump. A sociedade mostra-se sensibilizada para esta questão e as manifestações de repúdio têm sido várias, quer com protestos de rua de anónimos quer com mensagens de figuras públicas contando os seus casos.

O ano começou praticamente com uma avalancha em Itália. O Hotel Rigopiano ficou destruído, morreram 29 pessoas. Devido a deslizamento de terras, centenas de pessoas morreram na Serra Leoa (500 mortos, 800 desaparecidos) e na Colômbia (mais de 300 mortos, 70 desaparecidos). Já por culpa de inundações, morreram mais de 90 pessoas e mais de 600 mil foram afectadas no Peru. Oficialmente, a tragédia natural mais mortífera do ano foi um sismo na fronteira Irão-Iraque que provocou mais de 600 mortos. Um tufão fez dezenas de vítimas mortais no Vietname. No entanto, após a “época dos furacões”, não há certezas quanto ao número oficial de vítimas tal a força do “Irma” (que contabiliza 134 mortos), do “Maria” (66) e do “Harvey” (77). Já em Dezembro, uma investigação do “New York Times” apontava que, só em Porto Rico, terão morrido mil pessoas.
A Venezuela está em crise há anos e a situação agravou-se com a descida do preço do petróleo (tendência que se inverteu recentemente), deixando grande parte do país em grave situação económica e social. Falta dinheiro e bens essenciais, incluindo medicamentos, o que obrigou muitos portugueses a regressar, O Presidente Nicolás Maduro tem resistido à crise, às críticas da oposição, às manifestações na rua, aos referendos contra as suas políticas e até ao incumprimento no pagamento da dívida com medidas que são autênticas “fugas para a frente”, como a criação do petro, uma bitcoin, a marcação de eleições para um Parlamento inconstitucional ou a colocação de tropa na rua.

O grupo Estado Islâmico (EI) perdeu a autoproclamada capital do seu califado, Raqqa, na Síria, em Novembro, e em Dezembro o primeiro-ministro Haider al-Abadi anunciou que os terroristas tinham sido “derrotados” no Iraque, já depois de terem saído de Mossul. Os ataques aéreos das forças aliadas, por um lado, e de russos com o governo de Bashar al-Assad, por outro, contribuíram para a perda de força territorial e quase eliminação dos extremistas. No entanto, o EI ainda resiste em algumas localidades e, mais do que isso, os jihadistas continuam a utilizar a internet como arma de instigação ao ódio, que se espalha pelo mundo. Os atentados são "básicos", mas muito eficazes, seja em termos de vítimas, seja na continuação do clima de terror na Europa ou nos Estados Unidos.

2016/17 não foi uma época muito positiva para um “Special One” que deixou temporariamente de ser “Happy One”. Objectivos falhados a nível interno, com destaque para a Premier League, chegaram a colocar em causa o projecto que o técnico português tinha iniciado no início da temporada e que ainda delineava, em pleno andamento. Mas isso foi só até 24 de Maio. Em Solna, nos arredores de Estocolmo, a época europeia dos “red devils” fazia esquecer tudo o resto: vitória na final da Liga Europa, diante do Ajax, por 0-2. No apito final, “Mou” voltou a não querer saber da celebração com os jogadores. Viu o filho invadir o campo e “fintar” os seguranças e foi a esse “troféu” emocional que se agarrou, após um ano relativamente duro.
É o sonho de muitos há muitos anos: a independência da Catalunha. Contra os tribunais e o executivo de Madrid, o governo autonómico, liderado por Carles Puigdemont, avançou mesmo para um referendo. O 1 de Outubro poderia ter sido histórico para os catalães, mas o dia vai ser lembrado mais pela actuação da polícia e pelos quase 900 feridos que resultaram dos confrontos do que pelos cerca de 2,26 milhões que terão ido votar e esmagadoramente (90%) defendido a independência. Os resultados não foram considerados válidos e os líderes da “Generalitat” enfrentam agora penas de prisão, já depois de terem declarado a independência da região e de a terem suspendido imediatamente.
A crise humanitária que atinge os refugiados muçulmanos rohingya está, segundo a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), a atingir níveis alarmantes. Desde Agosto, início da violência no estado de Rakhine, cerca de 700 mil pessoas, entre crianças, mulheres e homens, foram obrigadas a deixar o país de maioria budista e fugir para o vizinho Bangladesh. O Papa visitou os dois países, voltou a alertar para a situação, falou com os militares que comandam Myanmar e conversou com alguns dos refugiados.

12ª Liga dos Campeões (juntando o anterior e o actual modelos da UEFA), o segundo consecutivo à boleia de Cristiano Ronaldo. Em Cardiff, a 3 de Junho, os “merengues” goleavam a Juventus (1-4) com CR7 a assinar um “bis” que, por certo, acabaria por convencer ainda mais quem lhe iria entregar os prémios de melhor futebolista do mundo.

O processo está em marcha e, apesar de algumas vozes – como a do ex-primeiro-ministro Tony Blair – defenderem um segundo referendo, já há data e hora indicativas para a saída do Reino Unido da União Europeia (23h00 do dia 29 de Março de 2019). Foi precisamente nesse dia, mas em 2017, que o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, recebeu uma carta de Theresa May invocando o artigo 50 do tratado de Lisboa. As partes iniciaram negociações, mas só a 8 de Dezembro foi conseguido um primeiro acordo, que permite que 3 milhões de europeus a viver no Reino Unido mantenham os direitos conquistados.

O Presidente Michel Temer, que chegou ao poder depois da destituição de Dilma Rousseff, já foi por duas vezes indiciado por corrupção e organização criminosa. Por duas vezes, o processo não avançou porque não alcançou maioria de dois terços no Parlamento. Este caso vai decorrendo em paralelo com a megaoperação “Lava Jato” e num ano em que o ex-Presidente Lula da Silva foi precisamente condenado a nove anos e seis meses de prisão por crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Apesar da condenação, Lula garante que será candidato presidencial em 2018 e vai liderando as sondagens.

Há quem já lhe chame o “novo normal”. Mais um ano passou e uma série de atentados atingiu várias cidades em 2017. Só com o auxílio de viaturas como arma foram oito os ataques: Edmonton (Canadá), Barcelona, Paris, Estocolmo, Nova Iorque e Londres (por três vezes). No entanto, os atentados mais sangrentos foram na Somália (14 de Outubro, mais de 500 mortos) e no Egipto (24 de Novembro, mais de 300 vítimas mortais). Destaque também para o atentado suicida na Europa, em Manchester, durante o concerto de Ariana Grande, em que morreram, pelo menos, 22 pessoas. Nos Estados Unidos, também houve vários incidentes com armas de fogo. Nota para dois: a 1 de Outubro um homem disparou indiscriminadamente sobre civis que assistiam a um festival de música e fez 58 mortos; e a 5 de Novembro, no Texas, um indivíduo entrou numa igreja baptista e fez 26 vítimas mortais.
A história de tensão entre israelitas e palestinianos não começou em 2017 (e não tem fim à vista), mas, após um período de relativa calma, agravou-se já perto do final do ano depois de o Presidente Trump ter defendido que Jerusalém deve ser a capital de Israel. A decisão, apenas elogiada pelo estado hebraico, foi criticada pela comunidade internacional e muito mal recebida pela Autoridade Palestiniana. As manifestações e confrontos voltaram a territórios sagrados para três religiões: cristianismo, judaísmo e islão.
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